Tenho a convicção, compartilhada com muita gente que respeito, de que thriller/ sci fi estão entre os melhores gêneros para realmente separar o joio do trigo em realizadores ascendentes ou estreantes. O rigor das regras dos dois gêneros combinado com a provocação implícita da capacidade imaginativa do diretor desperta o que há de melhor na criatividade, na capacidade de contar uma boa história com todo o poder metafórico, onírico e , no melhor sentido, provocador do cinema. A Universidade Roger Corman de Cinema é prova disso. Prova disso, em meses recentes, foram Moon, Distrito 9, O Orfanato, Labirinto do Fauno, Let the Right One In e, da safra Cannes 2010, o mexicano Somos Lo Que Hay, que ainda não vi mas com certeza já gostei.
Este longo nariz de cera é para situar o que vou dizer a seguir: que o melhor filme em cartaz nos EUA, neste momento, é o canadense Splice, desde já na liderança da minha lista-ouro 2010. Dirigido pelo mesmo Vincenzo Natali de O Cubo, lembrado recentemente aqui por vocês (a respeito da minissérie Persons Unkown), Splice é tudo do melhor Cronenberg em sua fase “maravilhas e perigos da ciência”. Mas vai além – com uma delicadeza e sensibilidade raras no setor, Natali (que escreveu argumento e roteiro) não se restringe ao habitual castigo-do-cientista-louco, e abraça igualmente médico e monstro, criador e criatura, humano e sobre-humano com algo que se parece muito com compaixão e ternura.
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