Archive for Novembro, 2008

O futuro das editoras universitárias e as mídias eletrônicas

livro_mouse_1

Deslumbrado com as novas tecnologias que fervilhavam Guillaume Apollinaire anunciou o que lhe parecia óbvio: a morte do livro. O influente poeta concreto francês do início do século fez essa afirmação face às potencialidades que vislumbrava no gramophone e no cinema mudo. Apollinaire não foi o primeiro nem o último. Atualmente, entretanto, pouca gente duvida da longevidade desse objeto, mas a sua transcendência física para o mundo da simulação digital já é outra discussão.  Os gadgets estão cada vez mais sofisticados e a migração para a era digital deverá acontecer em breves 10 anos.  Mas a diversidade do público deve favorecer a convivência de várias opções. O futuro não é só digital, mas sim plural.

Tendências e apostas

Desde 1971 Michael Hart, um dos primeiros a pensar em disponibilizar textos via cópia eletrônica, trabalha no Projeto Guttenberg, onde livros que já caíram em domínio público são transformados para o formato ASCII (codificação de caracteres) ou PDF (Portable Document Format, um formato de arquivo considerado quase universal) e disponibilizados no site do projeto. A aposta de Hart, no momento, é a ampliação da base de leitores de textos eletrônicos graças ao barateamento de tecnologias como palms e smart phones. “Pessoalmente, eu acho que as pessoas vão armazenar eBooks em telefones celulares, mais que os outros itens citados. Basta pensarmos que temos uma média de 1 bilhão de computadores no mundo e o triplo disso em números de celulares” diz Hart. Considerando que Hart é o inventor do conceito de eBook, sua aposta parece bastante certeira. Um relatório da consultoria americana Ithaka intitulado “University Publishing in the Digital Age” é bem enfático quanto a isso: o futuro das Editoras Universitárias é digital e a questão é como identificar oportunidades comerciais nesse novo ambiente.

De acordo com a Ithaka algumas editoras já começaram as mudanças (que inclui um grande investimento em novas tecnologias) passando a distribuir periódicos científicos em formato digital e cobrando mensalidades pelos acessos às áreas restritas. 

Lançado em novembro do ano passado o Kindle é a aposta da gigante Amazon (uma das maiores lojas de livro online) para esse não tão longínquo futuro digital. O aparelho promete acesso a livros comprados eletronicamente por um preço bem abaixo da cópia impressa, ao mesmo tempo que inclui acesso gratuido a jornais, blogs e enciclopédias online. Mas o passo do gigante pode virar um pequeno tropeço.

Marcelo Nóbrega, coordenador de produto na área de entretenimento do site Globo.com, não vê uma grande revolução no aparelho da Amazon. “Não vai ser usado em massa por suas limitações. O iPhone, por exemplo, é mais interessante que o Kindle por ser um celular, um aparelho que todos carregam consigo” diz. A questão principa  para Nóbrega, que também é editor do blog de tendências tecnológicas Futuro.vc, é se a transição do livro digital será tão fácil como o que acontece com a música e o vídeo. Para ele a experiência do livro é parte integrande do consumo do texto. Mas assim como o cinema e o vídeo, que estão sendo substituídos pelos vídeos baixados via torrent e TVs de maior tamanho e resolução, o consumo de textos tende a mudar. 

Pedro Herz, presidente da Livraria Cultura, uma das maiores redes de livraria do país acha que  essas tecnologias são fadadas ao fracasso. “Não aposto no Kindle ou similares. Este tipo de mídia, aliás, não é novidade, pois já produziram outros aparelhos com o mesmo fim que não obtiveram sucesso” afirma Herz, que fez uma pesquisa informal recentemente “Perguntei a vários leitores conhecidos meus e todos se negam a trocar de mídia” diz. Opinião que, definitivamente não é compartilhada por Michael Hart: “Quem prefere fazer as coisas antigas do jeito antigo são os mais velhos. Eles preferem os livros impressos. A geração que cresceu com Gameboys [videogames portáteis] nas mãos, simplesmente não liga!”  sentencia Hart.

Obras sob demanda

Mas o que o Kindle e seu similar, o Sony Reader, mostra é a necessidade da mudança para novas formas de integrar as mídias com o processo distribuição dos livros. O relatório da Ithaka também indica que os alunos de universidades estão se transformando em consumidores eletrônicos e as editoras têm que acompanhar esse movimento. Mais que isso, é necessário pensar em ambientes de pesquisa e publicação eletronicamente integrados e na necessidade de uso criativo da multimídia nos novos produtos desenvolvidos pelas editoras universitárias nos próximos anos. “Imagino que entre 5 e 10 anos essa tendência vai se consolidar” é a opinião de Carina Nascimento, Coordenadora Editorial da Editora da Universidade do Sagrado Coração (EDUSC) de Bauru, SP, “mas não antes disso”, conclui. (continua)

..:: Enio Rodrigo Barbosa Silva ::..

* Leia mais em  ComCiência

 

Update em 09/02/2009

Library of the future?

Paper books come at an environmental cost. Switching to electronic readers could be a much greener way to enjoy the printed word, says author Naomi Alderman

I never used to believe in ebooks. How could an electronic device hope to replace the beauty of the printed book form, the elegance of its design, the tactile sensation of turning the pages and the smell of good-quality paper? I love libraries. I love bookshops. I love the scent of the leather bindings and the musty pages. (continua)

* Leia mais em The Guardian

 

Amazon incorpora banda ancha móvil en su nuevo Kindle
El lector de libros electrónicos usa el 3G de Sprint y da acceso gratuito al catálogo de la librería online

Amazon no ha esperado ni a que su presidente Jeff Bezos terminase la presentación de Kindle2 en Nueva York para cubrir toda su web con el nuevo lector de libros electrónicos. Un año después de presentar su primer dispositivo para la lectura de libros en fomato digital, la compañía ha lanzado un aparato renovado que refuerza su apuesta por las conexiones inalámbricas. (continua)

* leia mais em El País


‘Biblioteca de bolso’ do Google leva 1,5 milhão de livros ao celular
Serviço está disponível em aparelhos que navegam na internet. 
Conteúdo do Google Book Search foi adaptado para telas pequenas.

De olho na tendência de adaptar sites para navegação via telefones celulares, o Google anunciou na semana passada a oferta gratuita de 1,5 milhão de títulos do Google Book Search, com domínio público nos Estados Unidos, em formato adequado para dispositivos móveis. (continua)

* leia mais em G1

Add comment 10 Novembro 2008


Paralelas

O blog Paralelas é um espaço de reflexão e de debate acerca de temas relacionados à comunicação, à ciência e à cultura, criado e alimentado pelos alunos do curso de especialização em jornalismo científico do Labjor/Unicamp

Em Paralelas

Últimas postagens

c

Arquivos

Calendário

Novembro 2008
S T Q Q S S D
« Out   Dez »
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Obrigado pela visita

Primeira Página

Meta