Archive for Setembro, 2008
A geração multitarefa e o descompasso na educação
Trocar mensagens, músicas, comunicar-se via mensagens de texto, “blogar”, procurar assuntos de interesse na web, assistir TV, tudo ao mesmo tempo. Esse é o perfil do que é chamado por alguns profissionais de “crianças multitarefas” que, cada vez mais cedo, começam a ter contato com as novas tecnologias e internet. Ao contrário dos “migrados”, esse perfil de crianças se caracteriza por serem “nativas” no ambiente digital. Realizada entre maio e julho de 2008 pelo canal de TV “Cartoon Network” e pela Fundamento Comunicação, a pesquisa de consumo infantil “Kids Expert 2008” contou com a participação de quase 7.000 usuários do site www.cartoonnetwork.com.br, com idades entre 7 e 15 anos e contou com o auxílio dos pais das crianças que registravam as atitudes de seus filhos em relação aos mais diversos aparatos tecnológicos aos quais tinham acesso em casa. Os dados coletados mostram que a partir dos 6 anos de idade as crianças são introduzidas à interação com tecnologias de comunicação ao serem postas em contato com a televisão, depois disso a integração com outros aparelhos cresce (computadores, internet e videogames a partir dos 9 anos) até chegar na integração com comunicadores e celulares (instant messengers, mensagens de texto e blogs a partir dos 10-12 anos). Nesta faixa que vai dos 12 aos 16 a garotada também deixa a passividade e começa uma busca incessante por informação, além de dominarem totalmente os artefatos tecnológicos a que têm acesso.
Educando para as mídias
Pensando em como aproximar essa geração do pensamento crítico e baseando-se nas idéias de Educomunicação de Mário Káplun, a pesquisadora e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Simone Bortoliero afirma que é necessário criar novos formatos a partir da tecnologia voltadas para educação “é preciso aproximar os meios de comunicação da escola, ler a televisão e os meios de comunicação de uma forma crítica”. Um dos objetivos da Educomunicação é ampliar as formas de expressão dos membros de uma comunidade e melhorar a capacidade de comunicar das ações educativas além de utilizar as tecnologias da informação e comunicação no contexto ensino/aprendizagem.
Convidada pelo Núcleo de Informática Aplicada a Educação (NIED) da Unicamp para ministrar um workshop para professoras do ensino fundamental da Escola Municipal de Ensino Fundamental Parque dos Pinheiros, em Hortolândia, Simone destaca a importância de conhecer os processos pelos quais são produzidos os produtos televisivos, por exemplo, para poder assim gerar reflexão sobre o que se vê. “É preciso diminuir o ritmo desenfreado que as mídias despejam informação sobre as crianças se queremos que elas desenvolvam a noção de crítica e reflexão. É nesse processo de desconstrução que ocorre o diálogo entre professores alunos e entre os próprios alunos” afirma a pesquisadora, e continua “O exercício da crítica na recepção não é algo fácil de realizar, pois o acesso à informação não garante que as pessoas sejam mais ativas ou participantes. Criticidade não é algo que se pode transmitir ou transferir como um teorema matemático ou uma fórmula química, tem que ser exercitado”.
Alunos e professores em comunicação
O workshop é um desdobramento de outro projeto iniciado pela pesquisadora em 2001, chamado “Jovens Repórteres Cientístas”, na cidade de Peirópolis-MG e que visava a produção de vídeos de divulgação científica gerada por jovens alunos da rede públida de ensino. Lá, com o auxílio da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) em Uberaba, as crianças saíam a campo para gerar reportagens e depois apresentar aos colegas. De Uberaba a experiência chegou a Salvador e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), através da sua Faculdade de Educação, emplacou o projeto na 1ª Semana Nacional de Ciência e Teconologia, abrindo as portas dos laboratórios da faculdade para as crianças e professsores participarem do projeto. Atualmente o projeto gera uma série de vídeos de curta duração intitulada “Um minuto para a ciência” e promove o diálogo entre os professores e alunos por meio da tecnologia. “Os professores foram pegos de surpresa com toda essa onde de tecnologia. É preciso capacitá-los também”, enfatiza Simone.
Gracia Lopes Lima, coordenadora de Educomunicação dos projetos “Cala boca já morreu” e “Portal Gens” também vê essa distância que separa os professores dos alunos. Para Gracia os professores tem que estar aptos a identificar as potencialidades das tecnologias que os alunos possuem (independente do nível sócio-econômico), pois celulares com câmeras e mesmo velhas câmeras de VHS são tecnologias bastante acessíveis hoje em dia e podem ajudar nos poduções dentro de sala de aula. Nos projetos que auxilia ela tenta enfatizar os processos de produção mais do que o objetivo didático do produto final “os participantes devem estar envolvidos com todas as etapas de produção, ao contrário do modelo de mercado hierarquizado. É isso que vai dar a noção de produção comunitária e visão global” afirma a pesquisadora. Gracia também afirma que a produção educomunicacional não deveria ser temática “Acho que isso é complexo. O uso da tecnologia deve ser repensado, a ênfase não deveria ser na reprodução de modelos didáticos, mas na promoção da autoria, ou seja, transformar as aulas em espaços de vivência da construção e exteriorização de discursos e sentimentos” mas pondera “esssas mudanças foram muito rápidas, a formação de professores ainda não deu conta de assimilar tantas mudanças em tão pouco tempo”.
Gracia vê pontos positivos e negativos nesse processo de inundação tecnológica. Do lado negativo percebe-se o consumo desenfreado de tecnologias e mídias associadas, atendendo exclusivamente ao modelo capitalista do binômio desejo/consumo, mas isso leva à uma certa democratização desses meios e mídias, o que pode ser positivo se bem aproveitado. “As pessoas, não só as crianças, têm cada vez mais oportunidade de deixar de ser meras consumidoras para se tornarem produtoras de conteúdo”. Lembrando que, de acordo com a pesquisa “Kids Expert 2008” citada no início do texto, aproximadamente 25% das crianças entre idades de 7 a 15 anos já postaram vídeos no site YouTube e 20% já trocaram com amigos algum conteúdo de mídia via web.
..:: Enio Rodrigo Barbosa Silva ::..
* publicado originalmente na revista eletrônica ComCiência
1 comment 22 Setembro 2008
Cientistas britânicos relançam geladeira ecológica de Einstein
Projeto é baseado em patente registrada em 1930.
Protótipo utiliza pressão de gases e não consome energia.
Uma equipe de cientistas britânicos reconstruiu um protótipo de uma geladeira ecológica inventada pelo físico Albert Einstein em 1930, que tem a vantagem de não se alimentar de eletricidade.
Os refrigeradores modernos são prejudiciais para o meio ambiente, pois funcionam mediante compressão e expansão dos gases fréons, que contribuem para intensificar o efeito estufa.
Com o aumento do nível de vida em muitos países em desenvolvimento, cada vez mais refrigeradores são vendidos, o que amplia a chegada à atmosfera desses gases, mais prejudiciais que o dióxido de carbono.
Na tentativa de amenizar essa situação, Malcolm McCulloch, um engenheiro elétrico de Oxford que se dedica às tecnologias ecologicamente corretas, coordena um projeto de três anos para o desenvolvimento de mecanismos que podem ser utilizados sem eletricidade, informou hoje o jornal “The Observer”.
A equipe que dirige fabricou o protótipo de um refrigerador patenteado em 1930 pelo físico atômico húngaro Leo Szilard.
O projeto, que só utilizava gases à pressão para congelar os alimentos, foi aplicado parcialmente nas primeiras geladeiras domésticas, mas a tecnologia foi abandonada quando outros compressores mais eficazes ganharam popularidade no meado do século passado.
O modelo inventado por Einstein e Szilard não requer os gases fréons: usa apenas amoníaco, butano e água, e aproveita o fato de os líquidos ferverem a temperaturas inferiores quando a pressão do ar é menor.
“No pico do monte Everest, a água ferve a uma temperatura muito inferior à do nível do mar”, explica McCulloch.
O aparelho contém um vaporizador, um recipiente que contém butano. “Caso se introduza vapor nele, a temperatura em que a água ferve diminui, e, com isso, rouba energia do entorno, o que produz o efeito de refrigeração”, acrescenta o cientista.
* publicada originalmente em G1
Add comment 21 Setembro 2008