Archive for Agosto, 2008
Nanodemocracia
Quase não se encontra um pesquisador que não seja favorável à democratização da ciência. Salvo aqueles casos patológicos de quem não acha necessário ter algo a dizer para a “dona Maria”, todo mundo defende a necessidade de popularizar o conhecimento produzido pelos cientistas. Por pragmatismo ou por princípio -tanto faz.
De um ponto de vista mais ambicioso e radical, porém, trata-se de uma democratização pela metade. Descer de vez em quando da torre de marfim, ou sair do laboratório de alta biossegurança, e deitar umas tantas pérolas aos poucos que se interessam.
Mesmo entre cientistas petistas (com perdão pela rima pobre), é raro ver alguma proposta participativa. Dar voz ao público na escolha de prioridades de pesquisa? Nem pensar. (…)
No Reino Unido, o Conselho de Pesquisa em Engenharia e Ciências Físicas (EPSRC, na sigla em inglês) se mostrou sensível à questão e ampliou uma consulta para ouvir o que o público tinha a dizer. Foi uma surpresa.
Em jogo estava uma linha de pesquisa de 15 milhões de libras esterlinas (R$ 45 milhões) para fomentar estudos prospectivos de aplicações nanotecnológicas na medicina. Segundo a revista “Times Higher Education”, o resultado levou o EPSRC a deixar de lado algumas das idéias iniciais.
A vítima principal da consulta foi o conceito “teranóstico” (mescla de terapia com diagnóstico). O plano era financiar pesquisas que pudessem levar a dispositivos capazes de circular pelo corpo do doente monitorando substâncias indesejáveis e, ao mesmo tempo, dosando a liberação de remédios.
No processo de consulta pública, ficou patente que as pessoas comuns não se sentiram confortáveis em ceder todo o controle a uma máquina -por menor que seja ela. Por ora, o projeto fica na gaveta.
No nano e no macro, vale o dito alemão: confiança é bom, mas controle é melhor.
* publicado originalmente em Ciência em Dia: Biologia e Política (Marcelo Leite)
Add comment 18 Agosto 2008
Arte e Ciência no Palco
Grupo teatral, especializado em encenar temas científicos inicia temporada em São Paulo
Durante o mês agosto o grupo teatral Arte Ciência no Palco irá apresentar no Auditório da Pontíficia Universidade Católica (PUC), que fica no bairro da Consolação em São Paulo, três peças que têm como tema os conflito éticos, dramas e questões relacionadas com a ciência. O grupo, formado em 1998 por Carlos Palma e Adriana Carui, comemora 10 anos de existência reencenando as peças “E agora sr. Feynman?”, “After Darwin” e “A dança do universo”.
Conflitos e diálogos
Em “E agora sr. Feynman?”, o físico e ganhador do Prêmio Nobel Richard Feynman está à espera de uma iminente cirurgia de emergência para tentar conter o avanço de um câncer que o consome, quando recebe a visita de uma aluna de Física e passa a refletir sobre sua vida e seu amor à ciência.
“After Darwin” retrata um diálogo imaginário que poderia ocorrer entre o jovem Charles Darwin e o capitão do navio Beagle, Robert Fitzroy. O naturalista, na peça, é posto em choque com as visões criacionistas personificadas por Fitzroy.
Já em a “Dança do Universo”, inspirado no livro de Marcelo Gleiser, Isaac Newton, Johannes Kepler, Galileu, Santo Agostinho, Lucrécio, Einstein e Mário Schenberg dividem, além do palco, as preocupações e conflitos internos pelas quais todas as pessoas (cientistas ou não) se deparam pela vida.
“O teatro discute sobre o ser humano” afirma Oswaldo Mendes, integrante do grupo (e autor de “Dança do Universo”) e continua “e quando olhamos para as estrelas ou para um átomo, estamos procurando nosso lugar no universo como seres humanos.” Para Oswaldo a ciência é visivelmente um elo de união entre as pessoas “O ser humano se reconhece, entre outras coisas, pelo conhecimento e a ciência é uma lingua praticamente universal”.
Atualmente o Arte e Ciência no Palco conseguiu uma parceria com o Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas da PUC (Campus Consolação, onde ocorrem os espetáculos). “Até então, ao contrário de outros grupos, éramos um grupo de teatro independente. Agora somos vinculados a uma instituição de pesquisa e uma nova fase se inicia”, finaliza Oswaldo.
O grupo também promove palestras e faz apresentações especiais para grupos e escolas, que podem entrar em contato pelo acpcultural@uol.com.br.
..:: Enio Rodrigo Barbosa Silva ::..
* publicado originalmente na revista eletrônica ComCiência
Add comment 12 Agosto 2008
Toque da Ciência
Novo portal de divulgação científica estréia em 11 de agosto
O Toque da Ciência, produto desenvolvido pelo Laboratório de Estudos em Comunicação, Tecnologia e Educação Cidadã (Lecotec), da UNESP, terá a estréia de seu portal eletrônico www.ciencia.inf.br às 20h do dia 11 de agosto de 2008, segunda-feira, na ocasião do 1° Seminário Lecotec de Comunicação Científica, que acontece no Auditório Antônio Manuel dos Santos da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Campus de Bauru, situada à Avenida Engenheiro Luiz Edmundo Carrijo Coube, 14-01.
A cerimônia de lançamento contará com a participação do diretor do DepartamentodeMinistério da Ciência e Tecnologia e membro do Comitê Temático de Divulgação Científica do CNPq, Ildeu de Castro Moreira, que proferirá conferência no local às 20h30.
O Toque da Ciência se destina à divulgação da produção científica brasileira por meio de uma linguagem simples e atraente, com periodicidade diária, contando com um acervo de mais de cem programas. O formato é de um minuto e meio de duração, com o relato do processo de pesquisa pelo próprio pesquisador, aproximando público e cientista e tornando eficaz a comunicação e os fins da divulgação científica. “O Toque da Ciência procura fazer pequenas inserções de ciência no cotidiano do brasileiro e, desta forma, devolver à população investimentos públicos em pesquisa, em forma de conhecimento. “, afirma o coordenador do projeto, Juliano Maurício de Carvalho.
O projeto conta com financiamento do CNPq e da universidade, por meio da Pró-Reitoria de Extensão e do Programa Ciência na UNESP.
Os programas produzidos serão distribuídos para rádios comunitárias, educativa, públicas ou comerciais do Brasil inteiro que tenham interesse em divulgar a ciência em sua programação. Rádios que estejam interessadas em veicular os programas devem se cadastrar diretamente no site por meio da URL: http://www.faac.unesp.br/pesquisa/lecotec/projetos/toque/cadastros_emissora.php
Add comment 10 Agosto 2008
Museu suíço mostra ‘esqueletos’ de personagens de HQ
Uma exposição no Museu de História Natural da Basiléia, na Suíça, mostra como seriam os esqueletos de vários personagens de quadrinhos e desenhos animados se eles realmente fossem seres vivos
Estão expostas na Basiléia o que seriam as “ossadas” de personagens como Pernalonga, Pato Donald, Papa-Léguas e a divertida dupla Tom e Jerry. A mostra insólita é o resultado de uma cooperação entre os paleontólogos do museu e o artista sul-coreano Hyungkoo Lee, que construiu os esqueletos observando todas as regras de anatomia.
O artista projetou os esqueletos baseando-se nas figuras dos personagens e também na anatomia original dos animais que eles representam. Ele usou técnicas científicas e simulações de computador para criar os esqueletos feitos com resina.
O resultado é uma divertida brincadeira com a séria ciência da paleontologia, que reconstrói ossadas de animais extintos, como o dinossauro.
Segundo os organizadores, o museu quer fazer com que os visitantes pensem sobre a reconstrução de animais fossilizados. ”Quando um animal pré-histórico é reconstruído também não conhecemos todos os detalhes de sua anatomia – como no caso dos personagens”, diz a porta-voz do museu. Neste caso, no entanto, a reconstrução tomou o caminho inverso: Dos dinossauros só se tem os ossos, e dos personagens, só a aparência.
A mostra “Animatus” criou nomes científicos em latim para cada personagem mostrado. Assim o coiote, eterno inimigo do Papa-Léguas, foi chamado de Canis latras animatus, e o pássaro veloz perseguido por ele levou o nome de Geococcyx Animatus. Segundo essa nomenclatura, o Pernalonga pertence à espécie Lepus Animatus e o Pato Donald leva o nome científico de Anas Animatus.
A mostra fica em cartaz no Museu de História Natural até o dia 31 de agosto de 2008.

Hyungkoo Lee construiu os esqueletos, em cooperação com paleontólgo, observando todas as regras de anatomias
* BBC Brasil (Marcelo Crescenti)
Add comment 9 Agosto 2008
Gastronomia Molecular
Curso no Rio de Janeiro aproxima cozinha e laboratório
Em 1988 quando o químico Hervé This resolveu ir para a cozinha e dar continuidade a trabalho iniciado na década de 60 pelo físico e professor da Universidade de Oxford, Nicholas Kurti, talvez ele não esperasse tamanha popularidade. Atualmente a Gastronomia Molecular, movimento que aproxima a culinária do laboratório, conta com encontros bienais e associações por todo o mundo. Na América Latina os argentinos parecem estar mais apaixonados pela disciplina que os brasileiros, contando com uma Associação desde 2004. A partir do dia 07 de agosto, porém, os chefs e gourmets brasileiros têm a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o que há por trás da arte culinária: a Sociedade Brasileira de Gastronomia Molecular (SBGM), fundada no início deste ano, oferece um curso sobre o aspecto físico-químico de suflês e merengues no espaço Ateliê da Alquimia Culinária.
Juliana Dias, jornalista gastronômica e uma das responsáveis pelo Informativo Malagueta, afirma que a Gastronomia Molecular “não é uma maneira de aprender a fazer show enquanto cozinha ou se mostrar para os amigos, mas entender os processos, e mesmo sistematizar, a forma com que se faz um prato, aproximando os fenômenos culinários do processo científico.” Além disso também contribui para regionalizar – e portanto criar novos sabores e combinações – alguns pratos tradicionais. Juliana cita o workshop dado pela chef Tereza Corção, criadora do Instituto Maniva, que trouxe para a aula/experimento, as possibilidades e limitações da substituição de ingredientes comuns em receitas tradicionais (a farinha do suflê, por exemplo) por derivados da mandioca, produto tipicamente nacional. Tudo testado sistematicamente junto com os alunos.
O curso do próximo dia 07 conta com a presença do físico e historiador Enrique Renteria, professor do curso de Design e Tradição na Gastronomia da PUC-Rio, e autor do livro “Sabor Moderno” sobre a culinária da Belle Époque no Rio de Janeiro.
Mais informações sobre o curso pelo email: faleconosco@alquimiaculinaria.com.br
:: Enio Rodrigo Barbosa Silva ::
Add comment 6 Agosto 2008
