Archive for Março, 2008

Bolsas para workshop em jornalismo científico

O Instituto das Américas, nos Estados Unidos, oferece bolsas para interessados em participar de seu 5º Workshop de Divulgação Científica Jack F. Ealy, a ser realizado de 9 a 18 de julho, no campus da Universidade da Califórnia, em San Diego, onde está localizada sua sede.

Para concorrer, jornalistas deverão inscrever reportagens publicadas em 2007 sobre meio ambiente ou saúde, temas centrais da edição de 2008 do encontro.

Além de ter todos os gastos para participação no evento cobertos (transporte, alimentação e alojamento), o melhor trabalho em cada tema receberá um prêmio em dinheiro.

Os interessados em concorrer às bolsas devem completar um formulário online e enviar material adicional para o e-mail ioa.periodismo@iamericas.org. O prazo para submissão é 14 de abril. O formulário e outras informações estão disponíveis no link: http://www.iamericas.org/email/Beca_Ealy/ApplicationInstructions.pdf.

Add comment 24 Março 2008

Aurora boreal

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Astronautas da Estação Espacial Internacional fotografaram nesta sexta-feira (21) a aurora boreal -e seu efeito ótico na atmosfera da Terra. O fenômeno, uma decorrência do impacto de partículas de vento solar no campo magnético terrestre, é visto como um brilho noturno no céu em regiões próximas a zonas polares. (Foto: Nasa/Reuters) Publicado no G1

Add comment 22 Março 2008

Seminário do Museu Exploratório de Ciências

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Add comment 20 Março 2008

Livros sobre ciência

O portal de notícias G1 oferece uma pequena lista de resenhas de livros de ciência. Vale conferir!

O último livro resenhado foi ” A Criação – Como salvar a vida na Terra”, de Edward O. Wilson.

Add comment 19 Março 2008

Comunicação e jornalismo a distância

Esta dica é para quem tem interesse em se aprofundar em temas relativos à comunicação, mas não tem tempo para acompanhar um curso presencial ou mora numa região onde esse tipo de curso não está disponível.

A Comtexto, empresa de consultoria/assessoria capitaneada pelo professor e pesquisador Wilson da Costa Bueno, oferece, todos os anos, cursos a distância nas áreas de comunicação empresarial, jornalismo científico, comunicação e meio ambiente, comunicação e saúde e comunicação e agribusiness. As próximas turmas estão sendo formadas para os meses de abril/maio, mas quem não tem disponibilidade para essas datas pode optar pelos cursos individuais, que se iniciam no começo de cada mês.

1 comment 14 Março 2008

Células-tronco em foco

O futuro das pesquisas com células-tronco no Brasil voltou à pauta do dia (se é que algum dia havia deixado). Na última quarta-feira, dia 5 de março, o Supremo Tribunal Federal começou a julgar a ação de inconstitucionalidade contra o artigo da Lei de Biossegurança que libera o uso de embriões congelados neste tipo de pesquisa. Após o pedido de vista do processo feito pelo ministro Carlos Alberto Menezes Direito, o julgamento foi adiado por prazo indeterminado.

Leia abaixo artigo de Alberto Dines, publicado no Observatório de Imprensa, sobre o papel da mídia em meio ao debate acerca do tema.

A imprensa no embate entre humanismo e religião

Por Alberto Dines em 11/3/2008, Observatório da Imprensa

Um debate de idéias como há muito não se via no país. A polêmica sobre a pesquisa científica com embriões humanos poderá estabelecer novos paradigmas de discussão numa sociedade que, ultimamente, entregou-se ao ressentimento e à intolerância.

O diferencial está sendo oferecido involuntariamente pela imprensa que, sem esconder sua preferência pelo racionalismo e pelo secularismo, mostra uma inequívoca deferência (ou complacência) pela outra parte: a Igreja Católica. As objeções que em outras circunstâncias e em outros países seriam transformadas num ataque frontal contra o obscurantismo, aqui estão sendo atenuadas pela reverência à religião que durante 508 anos, apesar dos disfarces jurídicos, é a religião oficial.

A ação de inconstitucionalidade impetrada pela Procuradoria Geral da República em 2005 contra a Lei de Biossegurança, apesar do malabarismo do seu autor – Cláudio Fonteles – em sustentá-la com argumentação jurídica, é uma peça teológica. Respeitável, mas teológica.

História do conhecimento
Dividida entre o seu incontornável compromisso com a razão e sua histórica submissão à Igreja, a mídia – sobretudo a mídia impressa – não tem outro caminho senão jogar o debate para as alturas. O que é muito bom em matéria de urbanidade e péssimo no tocante à isenção e ao esclarecimento.

A matéria publicada com grande destaque pela Folha de S.Paulo no domingo (9/3, “Embrião congelado por oito anos produz bebê“) é tendenciosa. Foi contestada de forma irrefutável no dia seguinte por Ênio Candotti, ex-presidente da SBPC, mas a carta do respeitado cientista (Painel do Leitor, pág. A-3) foi visivelmente encurtada e colocada logo em seguida à desbragada louvação de um leitor seduzido pelo “pluralismo” do jornal. A entrevista do cientista Oliver Smithies (segunda-feira, 10/3, pág. A-19) que contesta a matéria do dia anterior não mereceu chamada na primeira página (“Embrião usado para terapias não vai morrer, diz Nobel“).

Esta derrapagem clerical da Folha talvez se explique pelas suas relações com Ives Gandra Martins (advogado da CNBB na ação que transita no STF) e não como opção religiosa. Qualquer que seja a motivação foi um artifício tendencioso.

O Globo e o Estado de S. Paulo, embora ligados a setores católicos fundamentalistas, até agora não fizeram grandes concessões. A surpresa é oferecida por Veja, que não esconde sua preferência conservadora em matéria política, mas na questão das células-embrionárias assumiu uma visível posição progressista através das duas últimas entrevistas das “Páginas Amarelas” – com a bióloga Mayana Zatz (edição 2050) e com a presidente do STF, Ellen Gracie (edição 2051).

Impossível desconhecer que a oposição às pesquisas com células embrionárias é comandada por motivações religiosas. Isso precisa ser explicitado. O debate não tem nada de científico, resume-se ao confronto entre o sectarismo (embelezado por pinceladas espiritualistas) e a liberdade do espírito humano. Impossível desconhecer também que na história do conhecimento e na busca da razão os dogmas religiosos sempre favoreceram os retrocessos.

Confronto milenar
O Brasil demorou tanto para ser beneficiado pela tipografia desenvolvida por Gutenberg simplesmente porque foi impedido pela Igreja por meio do seu grupo mais radical, os dominicanos que controlavam o Santo Ofício da Inquisição.

Estamos nos preparando para festejar os 200 anos da nossa imprensa sem levar em conta que os primeiros jornais do continente foram publicados um século antes dos nossos. Este atraso deixou marcas profundas em nossa cultura e em nosso comportamento.

Passamos ao largo do racionalismo e do iluminismo porque a Santa Madre Igreja, desde 1536, estabeleceu nos dois lados do Atlântico um rigoroso sistema de censura de livros e idéias.

Como escreveu Ênio Candotti na minimizada carta publicada pela Folha, a ciência ajuda a vida a ser vivida. O confronto conhecimento versus vida é falso, enganoso. Ou, como afirma Oliver Smithies, “é errado discutir a perspectiva do uso terapêutico [de uma célula-tronco] como algo que requer a morte de embriões. A célula-tronco humana em tratamentos é o modo de preservar a vida embrionária”.

Com punhos de renda e civilidade, é verdade, sem a brutalidade das fogueiras que atormentaram Galileu no século 17, repete-se agora no Brasil o milenar confronto entre humanismo e religião, entre a busca da verdade e os antolhos da ignorância.

3 comments 13 Março 2008

ESPECIAL 5

Hoje encerramos nosso especial com um texto sobre a utilização de conteúdos digitais para a educação científica.

 Conteúdos multimídia e Internet para educação científica

A quarta grande linha de ação do eixo de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do PAC de C&T visa promover o desenvolvimento de conteúdos digitais multimídia para educação científica e popularização da C&T na Internet. Essa linha deve contar com cerca de R$ 90 milhões para o financiamento de projetos durante o período do 2007-2010, sendo a verba liberada por meio de chamadas públicas anuais.

A primeira Chamada Pública para Conteúdos Digitais Educacionais na Internet foi lançada em edital do MEC no primeiro semestre deste ano. Os projetos selecionados deverão ser iniciados a partir do final do mês de novembro e executados em até 18 meses. O edital dispõe de recursos no total de R$ 75 milhões provenientes do Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT e Ministério da Educação – MEC, por meio da Secretaria de Educação a Distância. “Vamos instalar uma indústria de conteúdos digitais educacionais que farão parte do Portal do Educador”, disse Ronaldo Mota, titular da Secretaria de Educação a Distância (Seed/MEC), em entrevista publicada em site do governo.

Mota refere-se à meta estabelecida pelo PAC de construir o Portal do Educador destinado aos professores do ensino médio das áreas de ciências, matemática e português, até 2008. O projeto, que deve ser estendido para os professores do ensino fundamental até 2010, pretende promover a melhoria da qualidade da educação e contribuir para a melhoria da formação docente, tanto inicial quanto continuada. “O portal não vai substituir o professor. Pelo contrário, vai auxiliá-lo na busca de um material de qualidade para enriquecer suas aulas”, complementa. Além do Portal do Educador, as metas do PAC também incluem a construção de um portal para a popularização da C&T e educação científica voltado para estudantes e público em geral, até 2009.

A utilização de conteúdos digitais e da Internet para a educação científica e popularização da ciência já vem sendo feita por diversos institutos, universidades e sociedades de científicas. A Sociedade Brasileira de Física (SBF), que já possui experiência bem sucedida com publicações impressas voltadas para o ensino na área (Revista Brasileira de Ensino de Física e A Física na Escola), anuncia em sua página eletrônica a criação de um portal interativo para atender professores, alunos e o público interessado em Física. Segundo Alaor Silvério Chaves, presidente da SBF, “Divulgação científica e popularização da C,T&I envolve ações diversificadas. Com sua expansão, a Internet vem se tornando um meio eficiente para esse tipo de programa”.

Chaves acredita que os investimentos do governo nesse tipo de projeto são essenciais para a difusão da C&T e que institutos de pesquisa e sociedade científicas têm um papel importante no alcance das metas do PAC em divulgação da ciência. “Com efeito, elas (sociedades científicas) congregam a melhor competência científica do País, o que as torna especialmente qualificadas também para a divulgação da ciência”, afirma. E ainda conclui: “No mundo contemporâneo, cada vez mais permeado de tecnologia, para que o indivíduo exerça mais plenamente sua cidadania é importante que ele tenha algum discernimento sobre o assunto. O cidadão contemporâneo tem um direito inegável de compreender “esse maravilhoso mundo novo (da ciência)”.

:: Ana Paula Morales ::

Colaboraram: Adriana Lima, Carla Gomes, Elisa Oswaldo Cruz, Flávia Dourado, Leila Ming, Marina Mezzacappa e Thaís Mendes

Add comment 12 Março 2008

ESPECIAL 4

O povo está onde tem trabalho sério
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Uma região metropolitana composta por 19 municípios e um pólo científico-tecnológico que reúne 11 instituições de pesquisa. Assim é Campinas e arredores. Apesar de ser referência em produção de ciência e tecnologia no Brasil, a região não é exemplo quando se fala em aproximar a população dos resultados gerados em seus centros de pesquisa – produz-se C&T de ponta, mas nessa cadeia de conhecimento, há deficiências no elo de ligação com a sociedade. Nesse cenário, observa-se uma ausência de políticas públicas direcionadas à popularização da ciência, panorama que tenta ser modificado pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCT) ao propor, no Plano de Ação para os próximos quatro anos, R$ 87,6 milhões para financiar projetos e eventos de divulgação científica, tecnológica e de inovação.

Em meio às muitas deficiências, existem algumas iniciativas isoladas, que conseguem mobilizar público e gerar interesse. Criada em 2003, a Fundação Fórum Campinas (FFC), entidade de direito privado que reúne as instituições de pesquisa existentes na região metropolitana, estimula iniciativas de popularização da ciência. Para retratar a divulgação da ciência na esfera coberta por essa entidade, a reportagem entrou em contato com seus congregados. Das 11 instituições, apenas quatro responderam a esta reportagem: a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); a Embrapa Meio Ambiente, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária; o Instituto Agronômico (IAC) e o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), ambos da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

De maneiras diversas, todas têm ações de divulgação do trabalho realizado, geralmente criando acessibilidade à C&T gerada em seu interior. Outro ponto em comum é a ausência de apoio do MCT para levar essas informações às comunidades. Dentro do conceito de popularização, a Unicamp mantém o programa Unicamp de Portas Abertas (UPA), que recebe alunos do ensino médio de escolas de todo o país. Na visita de dois dias, os estudantes têm a oportunidade de conhecer as vinte unidades de ensino e pesquisa e milhares de projetos em desenvolvimento.

O evento acontece nos primeiros meses do segundo semestre. As visitas são monitoradas por professores e alunos de graduação e pós-graduação da universidade. Os interessados em participar do programa devem se inscrever pela internet, a partir de maio. O UPA é realizado desde 2005. Nas três edições do evento, foram recebidos cerca de 150 mil estudantes. Segundo sua assessoria de imprensa, em 2007 a Unicamp recebeu 41,7 mil estudantes, de 680 escolas, de sete estados brasileiros.

No IAC a visitação é permitida ao longo de todo o ano. Os visitantes têm a oportunidade de conhecer de perto campos de experimentação de diversas culturas e laboratórios de diferentes áreas, além do Jardim Botânico, o único com perfil agrícola do Brasil. Com trabalho de relações públicas, o programa prevê agendamento prévio, o que viabiliza a organização das áreas de interesse dos visitantes e o atendimento com pesquisadores responsáveis pelos temas buscados. Anualmente, cerca de quatro mil visitantes passam pelo Instituto Agronômico. O perfil dos visitantes é bastante variado e vai de alunos da educação infantil até acadêmicos. Também são recebidos representantes de governos de diversos estados e do exterior, que vêm conhecer as tecnologias agrícolas geradas a fim de estabelecer parcerias e trocar conhecimento.

Mesmo com um calendário de visitações mais restrito, sujeito aos períodos em que não há eventos, e também mais limitado quanto às áreas de visitação (por causa da ISO 17025, que certifica alguns laboratórios), o Instituto de Tecnologia de Alimentos recebeu em 2006 cerca de 4.300 visitantes. Representantes do Ministério da Defesa, de governos de outros estados e missões internacionais destacam-se no perfil das visitas. Os interessados em conhecer o ITAL podem procurar a unidade em qualquer época do ano.

Na Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna, o contato para visitação também pode ser feito em qualquer período, mas é necessário o agendamento pelo Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC). O perfil dos visitantes envolve todos os níveis de ensino, já que a unidade tem o programa Embrapa & Escola, criado especialmente para atendimento do público infanto-juvenil. Segundo a empresa, as visitas são acompanhadas por um profissional de comunicação, que também organiza a programação de visita, de acordo com a área de interesse do visitante. Perguntada sobre o apoio do MCT às suas atividades, a assessoria de imprensa esclareceu que a Embrapa é vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e tem o apoio de algumas agências de fomento, mas não especificamente para atendimento de visitantes.

Mostra de C&T
A FFC irá realizar em 2008 a 2ª Mostra de Ciência e Tecnologia – C&Tec 2008. O objetivo do evento, que deverá acontecer na primeira quinzena de novembro, é aproximar a sociedade do conhecimento gerado no grupo de instituições que compõe a fundação (veja lista abaixo). A primeira edição da mostra ocorreu em 2001, na Unicamp, e recebeu cerca de 80 mil visitantes.

Após sete anos de intervalo, a segunda edição será antecedida por um fórum em que temas relacionados às pesquisas desenvolvidas nas instituições e às necessidades da região metropolitana de Campinas serão debatidos com a finalidade de mostrar o papel social dessas unidades de C&T. A organização do evento pretende definir formas práticas e eficientes de mostrar como os resultados científicos participam do dia-a-dia da população.

A equipe responsável pelos seminários e pela mostra compõe-se de dois comitês: um de programação e outro de comunicação, composto pelos assessores de imprensa dos centros que formam a FFC. “A comunicação é um dos principais papéis do Fórum”, diz Eduardo Gurgel, diretor executivo da Fundação. Com a comunicação em torno do fórum, espera-se chamar a atenção da população para a mostra.

Segundo Gurgel, o objetivo é que as instituições de pesquisa façam diagnósticos, dentro da temática C&T: Inovação e Futuro, e apontem caminhos para a evolução social dos processos de uma determinada área, por exemplo, lixo urbano. “A proposta geral é aproximar a ciência da sociedade e passar o recado em nível de conscientização ou de propostas”, diz.

C&T via imprensa
Outra forma das instituições de pesquisa levarem suas atividades para o conhecimento da sociedade é por meio da imprensa. No Brasil, a interação entre cientistas e jornalistas ainda engatinha e as próprias organizações são resistentes na adoção de assessoria de imprensa, setor que tem como missão diminuir a distância entre o meio corporativo e a sociedade. Coincidência ou não, as quatro instituições de Campinas e região que responderam às perguntas sobre a divulgação de ciência têm assessorias de imprensa.

A Unicamp informou que mantém assessoria de imprensa e que a divulgação de ciência é feita por meio do Jornal da Unicamp, que é semanal, do Portal da Unicamp e do Plantão de Imprensa, que atende às demandas da mídia. No Instituto Agronômico, que atua na área de pesquisa há 120 anos, a assessoria de imprensa, além de atender à procura dos veículos da mídia, também produz e envia releases a jornalistas com informações sobre pesquisas em andamento ou concluídas e eventos próprios voltados à transferência de tecnologias aos setores produtivos do agronegócio.

O ITAL, instituição de desenvolvimento e assistência tecnológica na área de alimentos processados e embalagens, também conta com assessoria de imprensa, que tem na home-page seu principal veículo. Lá o envio de releases à imprensa é feito esporadicamente. Na Embrapa Meio Ambiente, a assessoria de imprensa é composta por duas jornalistas e duas relações públicas. A respeito de como é a divulgação, a jornalista Cristina Tordin responde “aberta, franca”.

Jardins botânicos disseminam ciência
Driblando as dificuldades de falta de suporte financeiro, duas experiências envolvendo a informação e beleza dos jardins botânicos, na intenção de levar as ciências a alunos de várias faixas etárias, estão fazendo sucesso entre os participantes de Campinas e região. O Jardim Botânico do Instituto Agronômico (JB-IAC) e o Jardim Botânico de Paulínia têm interagido com escolas, contribuindo para a capacitação de professores e para a conscientização de alunos acerca da relevância da preservação ambiental. As atividades promovidas integram o projeto internacional “O Jardim Botânico vai à Escola”, que conta com apoio da Rede Brasileira de Jardins Botânicos, do Botanic Gardens Conservation International e do banco HSBC.

Por este projeto, cada jardim desenvolve suas ações junto a uma escola. Em Paulínia, a escola selecionada para participar foi a de Ensino Fundamental Prof. “Domingos de Araújo”, localizada no bairro Betel, próxima a uma área industrial. A instituição recebe alunos da zona rural, dos condomínios localizados no entorno e de outros bairros.

Já o Jardim Botânico IAC, que acumula espécies nativas da flora brasileira e exóticas de todos os continentes, realiza a atividade com a Escola Estadual “Prof. Newton Silva Telles”. A instituição tem 258 alunos de 1a. a 4a. séries e 25 professores. Além de atividades práticas, como o plantio de árvores e a organização de uma horta, o projeto levou treinamento teórico e prático aos professores.

De acordo com Maria Jussara Rosa Vieira, engenheira agrônoma e uma das coordenadoras do trabalho no JB-IAC, para manter o projeto no próximo ano, serão necessárias novas parcerias. “O trabalho com as escolas públicas é de grande importância e o fôlego curto é uma limitação”, diz ao explicar sobre a necessidade de recursos para viabilizar o treinamento de equipes e a aquisição de objetos usados nas tarefas.

As ações de divulgação da ciência realizadas pelos Jardins Botânicos junto às escolas, além de beneficiarem as comunidades locais, também têm um efeito amplificador na imprensa, que está cada vez mais receptiva a esse tipo de atividade.

Instituições integrantes da Fundação Fórum Campinas
Na área agropecuária: CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), IAC (Instituto Agronômico), IB (Instituto Biológico), IZ (Instituto de Zootecnia) e ITAL (Instituto de Tecnologia de Alimentos). Na produção de alta tecnologia estão: CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), CenPRA (Centro de Pesquisa Renato Archer) e LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron). Universidades: PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

:: Carla Gomes ::

Colaboraram: Adriana Lima, Ana Paula Morales, Elisa Oswaldo Cruz, Flávia Dourado, Leila Ming, Marina Mezzacappa e Thaís Mendes

Add comment 11 Março 2008

ESPECIAL 3

Hoje, publicamos um texto sobre museus de ciência.

A ciência tem de ir onde o povo está

É preciso aproximar a população do conhecimento científico e já existem iniciativas brasileiras de sucesso que atuam nessa direção. São museus e institutos que trabalham para popularizar o fazer científico e aproximar a ciência do dia-a-dia de crianças, jovens e adultos. Com o aumento do interesse público por C&T, atestado por pesquisas de percepção, e com o incremento, na oferta e montante, dos financiamentos público e privado, novas propostas de divulgação científica estão surgindo e outras, sendo potencializadas

 

O povo está onde tem diversão

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É sábado. As crianças estão eufóricas. Não vêem a hora de entrar no carro e partir para a aventura. Pai, mãe, avó, todo mundo vai participar. Enfim, chega o momento esperado e, já no carro, ouve-se repetidas vezes a mesma pergunta: falta muito pra chegar? O tão aguardado destino não é a praia nem um parque de diversões. Ou melhor, é sim um parque de diversões, mas cujo tema é a ciência. É um museu de ciência.

Difícil imaginar essa cena se passando no Brasil? Possivelmente. A cultura do povo brasileiro não privilegia as visitas familiares a museus e, na maior parte das vezes, não reconhece neles locais que aliam diversão e conhecimento.

Para Daniela Franco de Carvalho Jacobucci, que defendeu tese de doutorado na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sobre a formação continuada de professores em centros e museus de ciência no Brasil, existe um fosso entre a produção do conhecimento científico e as pessoas comuns. “Isso foi construído historicamente. A gente não tem uma cultura ou o hábito de visitar museus e centros de ciências”, enfatiza.

Tentando mudar esse quadro e apostando que os museus podem contribuir de forma significativa para a criação de uma cultura científica no Brasil, o PAC de Ciência traz, em seu eixo de investimento para o desenvolvimento social, um programa voltado exclusivamente ao apoio à criação e potencialização desses centros e museus. “Os museus de C&T são reconhecidos em todo o mundo como indispensáveis para a melhoria do chamado entendimento público da ciência”, avalia Nélio Bizzo, biólogo e educador, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

O objetivo do programa é, em linhas gerais, ampliar e desenvolver a rede de popularização da ciência. Há também a procura por suprir algumas deficiências, como a escassez de iniciativas do gênero e sua concentração na região sudeste e sul do país.

De acordo com dados do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), existem hoje 200 centros e museus de ciência espalhados pelo país. A Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência (ABCMC), criada em 1999, procura uma maior articulação entre essas instituições, também um dos pontos contemplados pelo PAC.

Diversas metas foram traçadas para serem atingidas até o ano de 2010, sempre com a preocupação de cobrir toda a extensão territorial do país. Entre elas, podemos destacar a implantação de 20 unidades de ciência móvel, o apoio a 30 projetos de observatórios, planetários fixos e móveis (novos ou reformas), o apoio à criação de seis parques de ciência e 30 propostas de criação ou de adequação de centros e museus de ciência interativos e a inauguração de doze salas de videoconferência, ainda em 2007, o que permitirá conectar instituições de todos os estados.

Os recursos para a empreitada serão da ordem de R$ 95 milhões. A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o próprio MCT serão responsáveis pela distribuição do orçamento. As atividades serão executadas por meio de editais, convênios e projetos de educação científica e popularização.

Importância
Luis Fernando Ceribelli Madi, presidente da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa (Abipti), vê com entusiasmo o papel dos museus de ciência. “São casos maravilhosos que vemos, principalmente nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, e que despertam nas crianças e nos jovens o interesse de, inclusive, ver a ciência como possibilidade de carreira”, diz.

“Os centros e museus de ciência estão aí para tentar transformar essa linguagem muito técnica do conhecimento, em algo mais facilitado”, explica Jacobucci. “Eles vão aproximar o público em geral que está ligado na televisão, mas não têm a dimensão do conteúdo científico que está embutido no que é informado pela mídia”, aponta.

No artigo Popularização da ciência no Brasil, publicado no Jornal da Ciência, Pedro Muanis Persechini, presidente do Espaço Ciência Viva, lembra que, nos referidos locais, o público pode não apenas se informar mas, principalmente, vivenciar o processo científico, com suas maravilhas, seus problemas, seus perigos e suas limitações. Embora haja um consenso da importância do papel desses espaços, ninguém de fato aferiu com precisão seus impactos, “o que é imprescindível para seu planejamento estratégico”, explica Persechini.

A aposta em centro de propagação científica não é novidade deste Plano de Ação. “A partir de 2003, foi a primeira vez que o MCT assumiu compromissos financeiros a curto e médio prazo, por meio de editais específicos ou não, dos quais os museus podem também usufruir. Isso significa um grande avanço em relação a governos anteriores e um grande ganho para esses espaços”, afirma Ana Maria Pavan, pesquisadora do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Não-Formal e Divulgação em Ciência (GEENF).

Entre 2003 e 2006, o MCT colaborou com o Ministério da Cultura no estabelecimento do Sistema Nacional de Museus. integrando o seu comitê gestor. Ele incentivou e promoveu estudos sobre a criação de parques de ciência (em parceria com a Abipti e o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast)) e colaborou com o Projeto Casa Brasil, particularmente, no estabelecimento de laboratórios. “A maioria dos museus recebe verba governamental, principalmente através do CNPq, Finep e dos órgãos de amparo estaduais, para desenvolver projetos de popularização da ciência”, explica Jacobucci.

Um dos programas do Ministério que receberá novas verbas com o PAC é o Ciência Móvel. Iniciado em 2004 e apoiado pela Academia Brasileira de Ciências, ele tem o objetivo de criar unidades móveis para incursões em grandes cidades, periferias ou pelo interior do país, com atividades de divulgação científica e tecnológica. Os veículos sofrem adaptações e levam equipamentos e experimentos de diversas áreas do conhecimento. Um edital, no valor de R$ 1,5 milhão, já selecionou nove projetos nas cidades de Belém, Recife, Ilhéus, Rio de Janeiro, Botucatu, Porto Alegre e Brasília. O MCT também apoiou, por meio do CNPq e da Finep, outros projetos de ciência itinerante, como a Oficina Desafio, do Museu Exploratório de Ciências da Unicamp.

Entraves
Apenas a criação dos museus não é suficiente para garantir sua eficácia na consolidação de uma cultura de C&T. “Não bastaria aumentar o número de museus para transformar os brasileiros em um povo de alta cultura científica: é preciso uma rede de estruturas, de iniciativas e de atividades de incentivo à cultura. Por exemplo, em muitas cidades onde de fato museus de ciência e tecnologia existem, as pessoas não sabem onde ficam ou não vão porque acham que ‘não é para eles’”, lembra Yurij Castelfranchi, pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp e mestre em Comunicação da Ciência.

A Pesquisa Nacional de Percepção Pública da Ciência, da qual Castelfranchi participou, fornece algumas estatísticas neste sentido. Apenas 4% dos entrevistados haviam ido a um museu de ciência nos últimos 12 meses no Brasil, valor que chega a 36% na Suécia. Os principais motivos apontados por quem não vai aos museus são que eles não existem na região (35%) ou ficam muito longe (12%), que a pessoa não tem tempo (31%), não está interessada (22%), não sabe onde fica (19%) ou não tem dinheiro (8%).

Já os principais motivos apresentados pelos que freqüentam esses espaços são: sempre se aprende algo novo (45%); gostam de ciência e tecnologia (40%) e acham interessante e divertido (31%). Para Jacobucci, uma das formas de aumentar o número de visitantes dos museus é justamente frisando que esta é uma experiência atraente. “É importante estar embutido nesses museus que aprender ciências pode ser divertido e prazeroso”.

A fundação Vitae, que atuou no Brasil de 1985 a 2005, foi uma das grandes financiadoras dos museus de ciência no país, exercendo importante papel na consolidação destes. Em seu período de atuação, investiu quase US$ 18 milhões na melhoria e expansão das atividades educacionais e de difusão científica.

Persechini lamenta o fim das atividades da fundação porque, muitas vezes, de acordo com ele, a Vitae investiu mais em divulgação que o governo federal. “Foi uma enorme perda, já que no primeiro edital público para o setor lançado pelo atual governo, através do CNPq, no final de 2003, foram destinados apenas R$ 4 milhões, disputados por cerca de 100 instituições ligadas à popularização da ciência no Brasil”.

Entre os espaços mais beneficiados com os aportes da Vitae estão o Museu de Ciências e Tecnologia da PUC do Rio Grande do Sul (R$ 3.429.348) e o Espaço Ciência de Pernambuco (R$ 2.964.209). “Eles podem ser comparados aos top de linha do exterior”, aponta Jacobucci. “Daqui dez, quinze anos, a gente vai ter muitos outros museus de grande porte se consolidando no país”, projeta.

Ela lembra, contudo, que existem realidades muito diferentes no país, com museus que ainda contam com pouca infra-estrutura e pequena equipe técnica. A maior parte surge pela iniciativa de uma única pessoa que acredita no projeto e se dedica com afinco para torná-lo realidade. Essa deficiência impacta na área da pesquisa. “Os museus fazem muito pouca pesquisa porque têm uma limitação da equipe. O cara tem que fazer de tudo, tem que montar a exposição, formar professor, montar projeto para conseguir recurso”, relata.

Interface museu/escola
O PAC vê nos museus a possibilidade de contribuir para a melhoria do ensino de Ciências nas escolas. “É importante capacitar os professores para que eles saibam utilizar os materiais interessantes dos museus e outras formas de divulgação científica. Mas não adianta só mandar o material, tem que mostrar como eles podem utilizar o instrumento dentro da sala de aula”, reflete Alfredo Tolmasquim, diretor do Mast. “Eles [os museus] não podem carecer de escolas preparadas. Precisam contar com professores que entendam o que fazem e que ofereçam o que há de mais motivante e significativo para seus alunos”, completa Bizzo.

Segundo Persechini, a participação de centros e museus de ciência na educação pode se dar através de programas de capacitação profissional, instigando os professores a novas atitudes pedagógicas, propondo temas de debate, criando laboratórios modelo e materiais didáticos e estimulando alunos a demandarem mais de suas escolas e de seus professores. “Centros e museus de ciência tem liberdade para imprimir maior criatividade e dinamismo a suas ações, desenvolvendo atividades integradas que unem ciência, cultura e arte de forma lúdica e atraente, o que, em geral, contrasta com a forma pouco estimulante que a ciência é freqüentemente apresentada nas escolas”, completa.

Na opinião de Jacobucci, as atividades voltadas aos professores têm importância fundamental para garantir público a esses espaços. “No Brasil, a maioria das visitas é escolar, uma vez que não temos aquela cultura de ir com a família ao museu, ao contrário do que acontece no exterior”. De acordo com o MCT, alunos e professores representam hoje 60% dos visitantes dos museus e centros de ciência.

A formação oferecida aos professores é importante tanto para a equipe técnica do museu, que passa a entender mais sobre o cotidiano da escola e suas dificuldades, quanto para o professor, que tem contato com um conhecimento mais especializado e com atividades desenvolvidas para transmiti-lo de forma mais palatável.

:: Marina Mezzacappa ::

Colaboraram: Adriana Lima, Ana Paula Morales, Carla Gomes, Elisa Oswaldo Cruz, Flávia Dourado, Leila Ming e Thaís Mendes

Add comment 7 Março 2008

ESPECIAL 2

Dando continuidade à publicação dos textos sobre políticas públicas de difusão de C,T&I, apresentamos hoje uma matéria que aborda a questão da educação de e para a ciência.

Educação é caminho obrigatório
Dois consensos com relação à educação
de e para ciência no Brasil: ela é precária e
sua melhoria é condição para a consolidação
do sistema nacional de C, T & I

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“Para a educação de qualquer cidadão no mundo contemporâneo, é fundamental que ele tanto possua noção, no que concerne à ciência e tecnologia (C&T), de seus principais resultados, de seus métodos e usos, quanto de seus riscos e limitações e também interesses e determinações (econômicas, políticas, militares, culturais etc.) que presidem seus processos e aplicações”. A constatação contida no texto A inclusão social e a popularização da ciência e tecnologia no Brasil, escrito pelo diretor do Departamento de Difusão e Popularização da Ciência do Ministério da Ciência e Tecnologia (DEPDI/MCT), Ildeu de Castro Moreira, é eficiente em mostrar a importância da educação no eixo do Plano de Ação destinado ao desenvolvimento social.

O ministro de C&T Sérgio Rezende reconhece igualmente o imperativo de ter a educação no Plano de Ações da C&T para 2007 a 2010. “A difusão do conhecimento científico também tem em seu bojo o entendimento de que o progresso geral de uma nação se faz com educação e aquisição de conhecimento por uma larga parcela da população e acesso a tecnologias. Então, quanto mais as pessoas tiverem acesso à ciência, mais elas se interessarão pelo tema, terão mais conhecimento das necessidades de investimento nessas áreas e um número cada vez maior de pessoas buscarão formação nessas áreas”, afirma.

Por outro lado, também há consonância em outro sentido bastante alarmante: a precariedade do ensino de ciência no país. “Que o estado da educação no Brasil (não só em C&T) seja ainda, apesar dos esforços, tremendamente inadequado, é fato conhecido. Na verdade, a educação fundamental e média brasileira é vergonhosamente, escandalosamente mal conduzida e gerida, especialmente se vista relativamente à posição econômica do Brasil. É claro, então, que todas as atividades de divulgação científica, popularização e participação popular deveriam integrar-se a esforços na área de educação pública e popular”, sintetiza Yurij Castelfranchi, pesquisador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

A Academia Brasileira de Ciências (ABC), em documento sobre o ensino de ciências e a educação básica, também é incisiva ao se referir à situação atual da educação em ciência. “(…) os níveis de conhecimento dos estudantes brasileiros em leitura, matemática, resolução de problemas e ciência estão entre os mais baixos do mundo, o que compromete o futuro do desenvolvimento do país”. Neste documento são apresentados outros dados sintomáticos: embora o acesso à escola tenha se ampliado ao longo dos anos 90, o desempenho dos alunos do ensino fundamental e médio, medido pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB), demonstra que essa elevação quantitativa não teve correspondência qualitativa.

O cenário apresentado por Castelfranchi e pela ABC é evidenciado pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), avaliação internacional padronizada, desenvolvida conjuntamente pelos países participantes da OCDE e conduzida no Brasil pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira do Ministério da Educação (INEP/MEC), cujos últimos resultados foram divulgados em 2003. Além de o Brasil aparecer entre as nações pior avaliadas, está entre os países que investem menos em educação, ao lado do Peru e da Indonésia.

O secretário substituto e coordenador-geral de Orçamento Planejamento e Gestão da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do MEC, Getúlio Marques Ferreira, confirma essa deficiência, mas destaca que o Plano de Ações busca, exatamente, construir alicerces para alterar o panorama. “Acredito que, com certeza, as ações do plano são capazes de produzir as bases para colocar a educação de ciência no Brasil em um outro patamar. É isso que se espera para a educação científica e tecnológica. Na verdade, o deadline final do plano é 2022, quando a meta é colocar o desempenho médio dos estudantes brasileiros em um nível de primeiro mundo”, revela.

A Setec é o principal braço do Plano de Ações no MEC. A Secretaria, dedicada à educação profissional e tecnológica, é a que está em contato mais direto com o MCT e, ao mesmo tempo, faz a articulação para a concretização dos objetivos do plano dentro do Ministério da Educação. É um importante papel, considerando que outras Secretarias, como as de Ensino Básico (SEB) e Superior (SESu) estão intimamente relacionadas em diversas ações previstas no plano, assim como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Ferreira afirma que as secretarias estão mobilizadas para trabalhar em prol do Plano. Muitas vezes, todavia, esta mobilização acontece de forma mais descentralizada. Segundo a assessoria de comunicação da SESu, a ação no Ensino Superior, por exemplo, acontecerá mais por meio das instituições de ensino do que da Secretaria como órgão.

Mudanças bem-vindas
Mesmo contando com a menor parte do orçamento no Plano de Ações (5%), o quarto eixo e a contemplação da educação são, em geral, considerados progressos. “O fato de existir um plano de longo prazo para ciência e tecnologia é, em si, um dos mais significativos avanços no planejamento governamental. Ele envolveu entidades e grupos qualificados, não foi uma ação de gabinete, uma conversa de vassalo e suserano. Isso demorou 507 anos! E o fato de existir um eixo para a divulgação científica e melhoria do ensino de ciências é, também, em si, um dado muito positivo”, avalia o biólogo e educador Nélio Bizzo, vice-diretor da Faculdade de Educação da USP.

Bizzo defende que a articulação entre os atores é condição fundamental para que o Plano seja efetivo em colocar em prática toda a potencialidade indutora de um planejamento de longo prazo. O educador ressalta a necessidade de monitorar a evolução de cada ação proposta e aproveita para criticar a ausência de instrumentos satisfatórios de acompanhamento. Para Bizzo, a parte do SAEB dedicada às ciências foi retirada em 2000 sem a divulgação dos resultados para mascarar a piora do ensino. “Hoje sabemos que a piora foi geral, mas só monitoramos Português e Matemática. Devemos voltar a monitorar outras áreas, pois, sem isso, o desperdício de recursos e o ‘achismo’ da planificação dos detalhes será muito grande”, avalia.

A “menina dos olhos”
Entre as ações concretas propostas dentro do quarto eixo do Plano de Ações do MCT está a consolidação das Olimpíadas Brasileiras de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). Duas idéias centrais justificam a ênfase no evento: a dificuldade em matemática diagnosticada nos alunos brasileiros e a conseqüente falta de profissionais ligados à área de exatas no país.

Dados do SAEB de 2006 mostraram que metade dos alunos da quarta série avaliados estavam em um nível inferior ao esperado para a segunda série. Na oitava série, mais da metade se encontrava no nível da segunda série ou inferior. Por fim, 70% dos alunos da terceira série do Ensino Médio estavam em um nível equivalente à quarta série ou inferior.

A Olimpíada, realizada desde 2005, é resultado de uma parceria entre MEC, MCT, Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e Sociedade Brasileira de Matemática (SMB). Na edição de 2007, envolveu cerca de 17 milhões de alunos e mobilizou 65% das escolas brasileiras localizadas em 98% dos municípios do país. A iniciativa é dirigida a alunos de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental e aos alunos de Ensino Médio de escolas públicas municipais, estaduais e federais. Alunos, professores e escolas concorrem a prêmios que incluem medalhas, bolsas de Iniciação Científica Júnior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e certificações de menção honrosa.

A Coordenadora Nacional da Obmep, professora Suely Druck, que também é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Matemática, enumera resultados centrais obtidos nas três edições realizadas. “O primeiro é o aumento do interesse de alunos e professores em conhecer e dominar conteúdos de matemática de boa qualidade. O segundo é a descoberta de uma matemática instigante e sedutora por alunos e professores. E, o terceiro, é a difusão da matemática”, enumera.

Druck expõe, ainda, as evidências que a levam a destacar estes reflexos. Uma delas é a pressão feita sobre a direção acadêmica das Olimpíadas para produzir e disponibilizar material didático nos moldes dos feitos para o evento. Esta demanda resultou na criação, distribuição e disponibilização na homepage de um Banco de Questões que é, inclusive, utilizado em alguns cursos de licenciatura.

Outra evidência dos reflexos do trabalho é o número de alunos que discute as questões das provas na internet e de alunos e professores que escrevem para discutir o tipo ou a dificuldade das perguntas. Além disso, Druck conta que, muitas vezes, são deixados recados nas provas, mesmo quando as questões não são resolvidas. “Muitos recados são de agradecimento, parabenizando-nos pela iniciativa, ou reclamando da qualidade do ensino em suas escolas. Acreditamos que isso se deve ao nosso princípio, do qual não abrimos mão, de que a Obmep serve principalmente para mostrar como a matemática pode ser interessante e provocadora”.

No que se refere à difusão da disciplina, a coordenadora afirma que diversos clubes de Matemática foram criados para trabalhar com o Banco de Questões. Também dá notícias de atividades extra-escolares para preparar os alunos para a Obmep. “A Olimpíada tem descoberto uma quantidade importante de talentos que não teriam a mínima chance de uma carreira científica ou tecnológica sem ela”.

Ferreira, da Setec, destaca um outro aspecto relacionado aos objetivos da Olimpíada. “Um dos intuitos centrais é descobrir talentos. Estimulamos o interesse ao mesmo tempo em que viabilizamos ao país a resposta de que ele está precisando”. Este reflexo, em seu ponto de vista, está mais relacionado a uma necessidade imediata e concreta de suprir lacunas já existentes de mão-de-obra em carreiras específicas da área de exatas. Neste sentido, Druck ressalta que os alunos premiados são agraciados com um Programa de Iniciação Científica de um ano com bolsa do CNPq, no qual têm contato com conteúdos matemáticos mais avançados do que vêem nas escolas. “É sabido que as portas das carreiras científicas e tecnológicas estão praticamente fechadas para a maioria dos alunos da rede pública. Eles estão descobrindo, através das Olimpíadas, que podem e devem ser partícipes do desenvolvimento científico e tecnológico do país”, atesta a coordenadora.

Algumas metas estão definidas até 2010 para a expansão da Olimpíada: ampliar o alcance para 21 milhões de estudantes; distribuir a todos os alunos premiados 300 medalhas de ouro, 600 medalhas de prata e 2.100 medalhas de bronze; conceder aos três mil alunos premiados bolsas de Iniciação Científica Júnior e oferecer programa de acompanhamento em pólos de atividades em todo o Brasil; premiar 127 professores com curso de aperfeiçoamento no IMPA; premiar 100 escolas com kits com-putacionais/educacionais e livros; e conceder troféus aos 50 municípios que obtiverem maior pontuação. Para chegar a estes objetivos, o investimento previsto, considerando os anos de 2007 a 2010, é de cerca de 140 milhões de reais.

Em meio ao otimismo que toma conta das entidades ligadas à elaboração e aplicação da Olimpíada, há quem faça ressalvas à iniciativa. É o caso da pesquisadora da USP Ana Maria Pavan. Ela afirma que a Obmep é uma ação baseada prioritariamente no modelo do déficit, que considera a transmissão do conhecimento por uma via única que parte dos cientistas para o público em geral. “Se a relação se apóia em modelos participativos e democráticos de divulgação científica é de esperar que o fluxo de informação entre a ciência e a sociedade não aconteça em uma única via, mas em via dupla. Nesse sentido e no âmbito de iniciativas como a Olimpíada de Matemática, considero que as relações entre educação científica, ensino de ciências e popularização estejam sendo abordadas em uma lógica deficitária e pouco ‘eficiente’, se o que se espera são processos de comunicação bidirecionais e dialógicos”, afirma.

Um diálogo possível

Um exemplo de sucesso quando se considera a necessidade de diálogo entre diferentes atores na construção do conhecimento de ciência é o projeto Mão na Massa, implantado no Brasil em 2001. A iniciativa marca a tentativa de iniciar o ensino de ciência antes da quinta série do Ensino Fundamental. A proposta – inicialmente uma parceria da Estação Ciência da USP, com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) – atua na formação continuada de professores das séries iniciais e é baseada no modelo francês denominado La Main à la Pâte.

Seus principais diferenciais são a experimentação e a aprendizagem da ciência por investigação proporcionada por problemas e situações desencadeadas pelo professor na sala de aula. “Ao lançar um problema ou uma situação problema, o professor estará resgatando, através do levantamento de hipóteses, os conhecimentos prévios dos alunos e promovendo, com os passos seguintes de planejamento, execução da proposta de resolução e discussão dos resultados, uma significativa reconstrução das concepções das crianças, alcançando assim uma visão científica dos fenômenos”, explica a geógrafa Simone Falconi, integrante do projeto.

O programa é norteado por dez princípios, dentre eles a observação de objeto ou fenômeno pelos alunos envolvidos, a duração mínima de duas horas semanais de atividades e o envolvimento da comunidade escolar nas atividades. O programa, que começou com três pólos – São Paulo, São Carlos e Rio de Janeiro – hoje conta com 15 em diferentes estados. Todos eles são apoiados por uma universidade e secretarias municipal ou estadual de Educação.

Falconi destaca aspectos da experiência que acredita serem passíveis de aplicação para a educação de ciência como um todo, como uma alternativa em relação ao modelo do déficit. “A Estação Ciência acredita na mudança através de ações de educação de ciências e difusão e por isso, mantém uma equipe no seu corpo de funcionários dedicada ao projeto, procurando estabelecer parcerias com as redes públicas de ensino. Todo o processo de formação com os educadores resulta em experiências concretas que são aproveitadas em sala de aula”, conclui.

:: Leila Ming ::

Colaboraram: Adriana Lima, Ana Paula Morales, Carla Gomes, Elisa Oswaldo Cruz, Flávia Dourado, Marina Mezzacappa e Thaís Mendes

Add comment 6 Março 2008

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