Archive for Agosto, 2007
Ciência é alvo das lendas virtuais
Há tempos que variadas lendas se espalham pela Internet. Desta vez, seus criativos inventores tomaram como alvo a ciência.
Lendas científicas periodicamente têm circulado online. A mais recente versa sobre a aproximação de Marte em relação ao planeta Terra.
A mensagem anônima refere que Marte será o mais brilhante no céu noturno, e que observado a olho nu poderá parecer tão grande como uma Lua cheia, no dia 27 de agosto, quando vai estar mais próximo da Terra.
Em algumas versões, o e-mail conta com esquema gráfico e música esotérica, para se tornar mais convincente.
O fato é que essas versões ganham consistência e conquistam rapidamente a confiança das pessoas, que não só acreditam como chegam a combinar encontros para observar o pretenso fenômeno.
Segundo o Observatório Astronômico de Lisboa (OAL), o planeta Marte não vai estar visível e nem se encontrará à distância mínima da Terra no próximo dia 27, contrariamente à informação do e-mail. Segundo fonte do OAL, esta falsa informação tem gerado confusão e esclarece que “Marte não se encontra à distância mínima da Terra”, que “não se vê a olho nu do tamanho da Lua” e que tampouco é visível no céu.
Além disso, neste ano, a máxima aproximação entre os dois planetas será em 17 de dezembro – aproximadamente 88,3 milhões de quilômetros – e não agora, em 27 de agosto. Para isso Marte teria que sair de sua órbita e aproximar-se da Terra.
A mensagem divulgada na internet também foi desmentida pelo Espaço Ciência, de Pernambuco. Em nota enviada à imprensa, o órgão estadual de ensino e divulgação científica diz que o fenômeno já ocorreu.
De acordo com a nota, o fenômeno chamado de oposição foi observado em 27 de agosto de 2004. Marte se aproximou da Terra e esteve a 55,7 milhões de quilômetros de distância. Fazia 59 mil anos que os dois planetas tinham estado tão próximos. Tal acontecimento se dá de forma regular, aproximadamente, a cada 2,2 anos.
Segundo reportagem do editor científico Ulisses Capozzoli, Marte por sua órbita elíptica em torno do Sol – descoberta feita pelo astrônomo alemão Johannes Kepler (1572-1630) – de fato tem aproximação máxima a cada dois anos com a Terra, que também tem órbita elíptica.
Porém, de acordo com o OAL, as aparições mais favoráveis de Marte são raras devido, principalmente, à grande excentricidade da órbita, sendo que as maiores aproximações entre o planeta e a Terra ocorrem em intervalos de cerca de 15 anos, “ocasiões sempre aproveitadas pelos astrônomos”.
Contudo, o valor desses intervalos é variável e por vezes acontecem recordes de aproximação, como ocorrido em 27 de Agosto de 2003.
No entanto, mesmo quando o disco de Marte aparece “em condições ideais”, como naquela data, a olho nu este planeta aparece “apenas cerca de duas vezes o tamanho habitual”, ou seja, “ao lado da Lua, Marte parece uma simples estrela”.
Mas nada disto acontece durante este mês de Agosto, uma vez que “Marte nem sequer se vê, pois está muito próximo do Sol”, sendo a sua conjunção em Outubro.
Segundo o OAL, a informação contida no e-mail em circulação pode ter por base a notícia do acontecimento de 27 de Agosto de 2003, uma vez que certas informações registradas na época são as mesmas agora mencionadas.
Em conformidade com a mensagem, o astrônomo do Espaço Ciência Fábio Araújo relata que o fenômeno de Marte tão próximo da Terra apenas irá ocorrer em 2287.
Se Marte ficasse do tamanho da Lua e à mesma distância desse satélite, seria uma catástrofe. “Teríamos alterações nas marés, que ficariam muito mais altas, podendo haver grandes inundações”, afirma Araújo. “Haveria ainda uma alteração no sistema gravitacional, com grande desequilíbrio cósmico”, completa.
Fontes consultadas
Fenômeno de aproximação de Marte com a Terra é negado. Jornal da Ciência – Órgão da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, 2006.
Ulisses Capozzoli. Marte e a Lua Cheia. Scientific American Brasil, 2007.
Informação sobre aproximação de Marte à Terra no dia 27 é falsa. Publico.pt, 2006.
:: Thaís de Barros Mendes ::
4 comments 26 Agosto 2007
3 anos de chuva
E choveu.
Na seca do meu coração nos olhos da moça clarinha
encontrei a chuva que refrescou meu coração.
Mas por Deus como conter um fenômeno natural?
A chuva só é chuva quando cai.
No copo deixa de ser chuva deixa de ser bela.
Beber água da chuva não depende de vontade.
Depende da chuva.
E como pode ser perigosa a doce água que cai do céu.
Trovões e relâmpagos podem parecer o mais assustador.
Mas quando existem ainda sinalizam a presença da água.
Pra quem prova da chuva, trovões e relâmpagos ainda
permitem sonhar com a queda da água.
O doce alento da chuva gelada que refresca ainda existe
por trás do ralhar do trovão e do faiscar dos relâmpagos.
O mais duro da chuva eu aviso: É depender dela!
De repente a chuva estia e não dá mais pra beber.
Some sem aviso sem deixar rastro.
Some sem dizer se vai voltar e abandona ao calor do
inferno o coração do desavisado.
Mas pro bom homem a justiça é feita.
E mesmo que a ele esteja reservada a aspereza quente e
árida do sertão, um dia a chuva volta e bem vinda é a
redenção!
Obrigado chuva por voltar a chover em meu coração.
Vá-se embora chuva que desta vez eu sei do seu partir.
Chova livre nos desertos do mundo semeando a vida que
de seus olhos nasce.
Nunca mais esse pedaço de chão será o mesmo depois de
você.
Vá-se embora chuva sem olhar para trás.
Com seu toque sutil já abençoaste o coração do aflito.
Vá-se embora chuva
Que eu reacendi meu sorrir.
:: Fábio Ueno ::
2 comments 24 Agosto 2007
iPhone: intensidade do marketing não garante qualidade do produto
No dia 29 de junho de 2007 foi lançado o iPhone, meses depois de uma das maiores campanhas de marketing da atualidade. Este pequeno notável pode ser definido como uma central multitarefa: telefone, navegador internet, gerenciamento de e-mails, iPod, câmera digital, tecnologia wi-fi e bluetooth. Possui também potencial quase infinito para executar diversos tipos de programas, os chamados widgets – calendário, calculadora, bloco de notas, jogos, etc. A imagem criada sobre a utilidade do produto foi tão explorada que várias paródias surgiram na rede (vide).
Tanto o público como a mídia já estavam de olho no iPhone mesmo antes do lançamento. Em janeiro deste ano Steve Jobs, cacique da Apple, chamava o iPhone de “o melhor iPod já produzido”. A expectativa sobre o aparelho era tão grande que até Walter Mossberg, do The Wall Street Journal, um dos críticos mais respeitados e temidos do planeta para assuntos de tecnologia, fez observações extremamente positivas sobre o pequeno caçula da Apple.

Quando o iPhone foi lançado, as ações da Apple Inc. (NASDAQ: AAPL) estavam em $121, o valor da share (quota). O mais incrível é que, mesmo antes do anúncio do produto, as ações já estavam elevadas em 60%. Um ganho ótimo em curto prazo e já se calcula aumento de 14% nas suas ações desde o dia do lançamento do iPhone até agora.
Até o final deste ano, é muito provável que a AAPL bata $160 ou mais, pois as vendas continuam a subir em quase todos os seus produtos de consumo, além do desempenho fantástico de suas lojas de varejo. Estima-se que a Apple tenha um retorno de 30% apenas em 2007, o que é uma boa soma no ramo de eletrônicos.
E o Brasil, como fica?
Como o iPhone também é um telefone celular, sua chegada ao Brasil depende da aprovação da Anatel e de acordos com as operadoras telefônicas. Nos EUA, ele será oferecido por uma companhia apenas, a Cingular. Portanto, não será possível utilizar o aparelho comprado lá fora aqui no Brasil, como muitos usuários fazem com o iPod.
É provável que o aparelho demore ou mesmo não venha a se popularizar no Brasil, já que ficará muito caro por aqui. A propaganda chama a atenção dos usuários, mas é preciso ver que já existem no mercado local aparelhos com funções semelhantes por um preço mais acessível.
Nos EUA, a novidade custará US$ 499 (versão de 4 GB) e US$ 599 (8 GB). Quando chegar ao Brasil, seu preço será tão alto que provavelmente limitará sua expansão. Seria preciso um acordo da Apple com as operadoras de telefonia brasileiras para reduzir o seu preço. Assim, o acesso ficaria mais fácil e sua compra, menos onerosa. Mas será que estamos perdendo alguma coisa com esse atraso?
Pós febre de lançamento
Após alguns meses do lançamento e depois da ressaca das campanhas monstruosas, podemos fazer um breve levantamento deste pequeno faz-tudo da Apple.
Um dos aspectos iniciais mais marcantes, mas que foi ocultado pelo merchandising da empresa, é o fato de que o iPhone é muito semelhante a smartphones já existentes no mercado, ou seja, o aparelho não é, de fato, uma novidade. Inúmeros smartphones já vinham com navegadores mais avançados, como o Opera. Embora outros telefones não tenham controles completamente virtuais, alguns, como o Helio Ocean, têm múltiplos teclados, recurso que o iPhone não dispõe.
Alguns smartphones já excediam os recursos que o iPhone apresentou em seu lançamento. Muitos já tinham capacidade para telefonia celular de terceira geração (3G), permitindo taxas de transferência de dados significativamente mais rápidas. Outros smartphones e micros de mão também podem rodar aplicações desenvolvidas por terceiros, algumas das quais têm funções bem especializadas, mas a Apple, insistindo no contrato de monopólio, planejou permitir apenas aplicativos que funcionam dentro do navegador Safári. O aparelho não roda programas de outras empresas, impedindo o uso de arquivos do Office da Microsoft, por exemplo. Isso porque a Apple quer manter o controle dos aspectos do produto, o que pode significar uma limitação e tanto no ramo da Tecnologia da Informação.
Além destes aspectos técnicos, não está claro se os recursos do iPhone compensam o seu preço. O argumento da Apple é que seu aparelho atuaria como três dispositivos distintos – telefone, iPod e navegador de Internet – que custariam ao menos US$ 899 se comprados separadamente. Contudo, celulares e smartphones são mais baratos que o iPhone e muitos já possuem esse conjunto. O iPhone também requer um contrato de 2 anos com a AT&T, conhecido como Cingular, limitando o usuário em suas escolhas de prestadoras.
Em razão das novas percepções e críticas sobre o iPhone, previsões atuais de analistas sobre o sucesso do aparelho são plurais. Sua presente prática de mercado e a questão do monopólio podem ser obstáculos para sua difusão, qualidade e custo-benefício não se equiparam à campanha grandiosa. Ou a Apple flexibiliza o preço e a compatibilidade do iPhone, ou este corre o risco de ser apenas um smartphone de grife concorrendo no vasto mercado das bugigangas de comunicação.
Add comment 24 Agosto 2007
Jornalismo ambiental?
Há um pouco mais de um mês foi me pedido uma matéria sobre ipês: era para falar sobre como as mudanças climáticas estão afetando a floração do ipê. Ok, com telefone em punho (sim, eu estava em frente a um computador…) fui atrás de fontes. De cara procurei o Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Fui muito bem atendida pela assessoria e agendei uma entrevista.
No dia seguinte lá estava eu repleta de expectativas, pronta para usar meus conhecimentos adquiridos no Labjor para extrair o máximo de informações do pesquisador, quando vem o balde de água fria: “não, querida, a floração do ipê não foi afetada pelo aquecimento global”. Ok, ok… pego algumas informações botânicas e encerro a entrevista.
Como não fiquei contente (nem minha editora), parti para o Instituto Botânico do Estado de São Paulo. Volto a ser muito bem atendida e no horário agendado converso com uma fonte bárbara, que consegue, com fluência, dar detalhes sobre a árvore. Mas e o aquecimento? Nada… ele também achava, ou melhor, afirmava (pesquisador não acha…) que não se pode culpar diretamente o aquecimento pelas alterações deste ano, pois em sua experiência botânica já viu (viu não, pesquisador acompanha, monitora) mudanças de até dois meses na floração. Segundo ele, o ipê, como todos nós, está sentindo os efeitos do aquecimento, mas as alterações não são tão bruscas para poder se culpar o vilão do momento, assim, só por culpar.
Deixei-me vencer, na certeza de que se procurasse um pouco mais, acharia algum especialista que me diria exatamente o que eu queria ouvir: que o aquecimento deixou o ipê louco, achando até que era laranjal! Mas isso, indaguei, depois de ouvir dois pesquisadores de renomadas instituições, seria ser sensacionalista demais… seria pegar um assunto e imputá-lhe todas as mazelas do mundo, mesmo que haja forte correlação. Resolvi partir para outro tipo de abordagem, citando, evidentemente, a posição dos entrevistados sobre os impactos das alterações climáticas na floração da planta tema da matéria.
Bem, na segunda, dia 13/8, o Bom Dia Brasil deu “florada do ipê veio um mês mais cedo… é resultado do aquecimento global”. Para respaldar? Técnico da Embrapa… Outras entrevistas? Com turistas lamentando o fato. Depois de ler com cuidado a transcrição da matéria global parei para refletir e não cheguei a nenhuma conclusão. Só indagações sobre o fazer jornalístico, diferença das mídias, fontes, abordagens e jornalismo ambiental. Quem sabe um dia eu volte aqui e escreva algo consistente. Enquanto esse dia não chega, alguém pode me ajudar na reflexão?
:: Adriana Lima ::
Para quem quiser ler a minha matéria, clique aqui.
Para quem quiser ler a matéria do Bom Dia Brasil, clique aqui.
3 comments 16 Agosto 2007
Dawkins ataca novamente
O biológo britânico Richard Dawkins, autor do livro “O Gene Egoísta”, mas que se tornou conhecido do público em geral com seu livro “Deus – Um Delírio”, que vendeu mais de 1 milhão de exemplares, volta suas baterias contra a “pseudo-ciência”: astrologia, homeopatia, mediunidade etc. etc.
Desde a última segunda-feira (13 de agosto) está no ar no Channel Four da Inglaterra a série “The Enemies of Reason (Os Inimigos da Razão)”, na qual ele pretende desmontar as crenças e superstições que ele considera desprovidas de fundamento e provas, mas que têm público cativo.
Ateísta convicto, Dawkins tem defensores e inimigos árduos. A exposição de suas teses na TV tem tudo para gerar polêmicas.
Leia o texto completo em:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070814_dawkins_sb_ac.shtml
:: Ricardo Brandau ::
1 comment 16 Agosto 2007
Hungry Planet

Trinta famílias em vinte e quatro países são abordadas no livro Hungry Planet, do fotógrafo Peter Menzel. A obra é um estudo fotográfico que mostra com detalhes o que várias famílias ao redor do mundo consomem ao longo de uma semana.
O contraste é assustador. Os valores gastos por família variam de $1,23 por uma família do Chade, país centro-africano, até $500, gastos por uma família alemã. Hungry Planet foi vencedor dos prêmios James Beard Cookbook of the Year (2006) e Harry Chapin Media Award (2005) e chegou à final do IACP Cookbook Award (2006).
Vale a pena visitar essa galeria, bonita, chocante e reveladora:
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Mapa da Blogosfera
Nada mais conveniente do que postar em um Blog um mapa da “Blogosfera”. Mas, como tudo que é criado na Internet sem nossa indefectível metodologia científica, tem algumas falhas. Citando seu criador “O Grande Mapa Dahmer da Blogosfera Brasileira foi especialmente desenhado para alimentar brigas por coisas pequenas. Ele contém vinte e seis graves erros de omissão, localização e lógica”. No entanto, vale pela curiosidade Bloguística e podemos detectar que a grande maioria dos Blogs no Brasil falam de nada e coisa nenhuma.
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Ciência gostosa?
A Superinteressante, da Editora Abril, acaba de lançar um programa quinzenal, divulgado pela Internet, que pretende explicar temas científicos de uma maneira “instigante” (nas palavras da redação da revista).
Confira o vídeo e tire suas conclusões…
:: Marina Mezzacappa ::
4 comments 14 Agosto 2007
Desmatamento à vista
Marcelo Leite, além de renomado jornalista científico, é também professor do curso de Jornalismo Científico do Labjor. Em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo deste domingo, reproduzida também em seu blog, ele discute a atuação de Marina Silva como ministra do Meio Ambiente e o teste de fogo que ela deve enfrentar na questão das queimadas na Amazônia.
Veja a íntegra da coluna abaixo.
Desmatamento à vista
Marcelo LeiteColuna Ciência em Dia
Folha de S.Paulo – caderno Mais 5 de agosto de 2007Há dúvidas sobre Marina Silva ter feito um bom negócio ao lutar com tanto afinco para manter-se no Ministério do Meio Ambiente (MMA) no segundo governo Lula e obter do presidente carta branca para reformulá-lo. Sob a aparência de ganho de força e controle, pode na realidade estar enfraquecida. Seu teste de fogo começa agora, com as queimadas na Amazônia.
A ministra já havia perdido a batalha dos transgênicos na CTNBio (embora a guerra prossiga ainda na Justiça e na Anvisa) e cedido na transposição do São Francisco. Teve de engolir Angra 3 e entregar o licenciamento ambiental das hidrelétricas do rio Madeira. Enfrentou até uma rebelião corporativista no Ibama. Nem por isso escapou de ser responsabilizada por fracassos nos leilões de energia. Como se fosse dela, e não de Dilma Rousseff, o DNA regulador do setor elétrico.
Sérgio Abranches não se cansa de dizer no portal O Eco que a matriz energética brasileira é cada vez mais suja (termelétricas a óleo e carvão) por causa do modelo arquitetado pela ex-ministra das Minas e Energia, e não das licenças ambientais. Mas quem ouve?Em política, como se diz, vale a versão. Pouco importa se o MMA está ou não passando por uma efetiva modernização. Enquanto os inimigos da ministra na Esplanada, no Planalto e na imprensa conseguirem impingir-lhe o figurino de vanguarda do atraso, o prestígio de Marina Silva prosseguirá em erosão contínua, lenta e segura.
Isso, claro, se não sobrevier o desastre. Seu grande e talvez único trunfo — a justa imagem de defensora da floresta — está vinculado à queda nas taxas de desmatamento. Com efeito, elas caíram coisa de 30% por dois anos seguidos. Não há certeza de que continuem assim, contudo.
O MMA sustenta que a redução no ritmo de destruição da floresta decorreu de suas ações contra quadrilhas de madeireiros e grileiros e da criação de unidades de conservação. Decerto as medidas desempenharam seu papel. O que não se sabe com segurança é quanto dessa diminuição foi contribuído pela crise de preços e financeira enfrentada por sojicultores.
Agora a economia voltou a crescer em ritmo considerável, e os preços da soja estão subindo. Só os míopes verão nessa escalada uma flutuação conjuntural. Há boas razões para crer que os preços agrícolas em geral -e não só da commodity que avança pelo cerrado e flanqueia a Amazônia- continuarão subindo nos próximos anos.
Os biocombustíveis, como álcool (etanol) e biodiesel, estão na raiz desse processo. O Brasil, detentor do maior estoque mundial de terras agricultáveis ainda não exploradas, está em posição de beneficiar-se privilegiadamente com ele. Não há por que torcer contra.
Pode-se discutir indefinidamente se a cana ameaça a Amazônia, onde quase não é plantada, ou se a soja ocupa só áreas de desmatamento antigo. Poucos duvidam, porém, que a fronteira agrícola se expandirá no país, nos próximos anos. A questão é saber se o Estado brasileiro conseguirá disciplinar esse avanço, ou se a floresta amazônica sucumbirá como a mata atlântica, no passado, e neste exato momento o cerrado.
Marina Silva não precisa bandear-se para o alarmismo de Fidel Castro e coadjuvantes que, como Frei Betto, já falam em “necrocombustíveis”. Insegurança alimentar não é o resultado necessário de um ciclo de expansão agroindustrial. Bem mais possível, até provável, é que a devastação chegue antes, neste ano ou em 2008. Por isso ela deveria pôr as barbas de molho, se as tivesse.
Add comment 5 Agosto 2007
Vídeo do fórum “Mudanças Climáticas e Mídia”
Realizado no dia 18 de junho de 2007, o fórum “Mudanças Climáticas e Mídia” foi organizado pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp (Labjor) e pelo Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri).
O evento contou com a participação dos professores Carlos Joly, da Unicamp, e Eduardo Viola, da UnB, dentre outros especialistas que estudam as mudanças climáticas. Ao longo do dia, os debatedores avaliaram a forma que as mudanças climáticas têm sido abordadas pela mídia nacional e internacional.
Confira abaixo vídeo com um resumo das opiniões dos debatedores.
Add comment 3 Agosto 2007